QUERÔ
 

Querô
(11 e 12 de Novembro)

Brasil, 2007. Drama, 88’

Direção: Carlos Cortez.
Roteiro: Cortez, Luis Bolognesi e Bráulio Montovani, sobre romance de Plínio Marcos.
Fotografia: Hélcio Alemão Nagamine.
Montagem: Paulo Sacramento.
Elenco: Maxwell Nascimento, Milhem Cortez e Maria Luisa Mendonça, entre outros.

Indicado para maiores de 16 anos.



COM A PALAVRA,

entrevista do diretor ao sítio da revista Fórum

Revista Fórum – Como foi o seu contato com a obra do Plínio Marcos e o que o motivou a adaptá-la para o cinema?
Carlos Cortez – Nunca há um motivo só. Realizei algumas produções com o Plínio e isso fez com que estreitássemos nossa amizade. Um dia disse a ele: “Pô, Plínio, você já foi porteiro, palhaço, dramaturgo, podíamos falar sobre esses seus 30 anos heróicos de teatro”. E ele, com aquele jeito, respondeu: “Vai tomar no seu... Que baita proposta idiota, você só vai fazer isso depois que eu estiver morto”. Plínio e eu tínhamos o barato de escrever juntos, fazer coisas juntos. Num dia que estávamos produzindo, pedi a ele o Querô para produzir em cinema. Ele disse que também tinha uma proposta, fazer Cinco contos de artista da ralé de beira de cais. Ele queria fazer um filme sobre estes personagens. Logo depois ele morreu. Quando isso ocorreu, a família sabia que eu queria adaptar Querô para o cinema e o liberou. Eu queria um retrato atual do drama do abandono dos nossos meninos e adolescentes. E o Querô tem um texto muito atual.

RF – Você opta por não utilizar atores profissionais e realiza oficinas em Santos para selecionar os adolescentes que participariam do filme. Como foram estas oficinas e por que esta opção?
CC – Queria que o filme tivesse o frescor dos dias de hoje. Que não fosse algo com jeito de 30 anos atrás. Durante as oficinas, que duraram seis semanas, ninguém leu o roteiro, que recebeu recomendação do Sundance. Durante essas semanas, as oficinas eram para gerar uma sensibilização do grupo. Depois, tivemos seis semanas para ensaio do filme. Ou seja, ao invés de partirmos do roteiro a gente chegou até o roteiro. E fizemos as filmagens em outras seis semanas. Tudo na correria por causa da grana, que era curta. Uma experiência única, que resultou na qualidade do filme, na realidade das imagens.

RF – As oficinas causaram uma repercussão positiva na cidade? Houve continuidade do trabalho?
CC – Quando acabou a oficina que levou às filmagens do Querô, foi a maior choradeira. Os meninos assumiram a continuidade. O Sesc autorizou e a prefeitura também colaborou. O pessoal da outra oficina já fez seis curtas. Dois já são premiados, o Maria capacete e o Torto, que trata dos prédios tortos da orla de Santos. E já existem outros sendo produzidos.

RF – Carlos, qual sua opinião acerca da discussão da redução da maioridade penal?
CC – Eu acho uma cretinice, um absurdo. Nós sabemos que a questão não é mais repressão. O problema é falta de oportunidade. Nós fomos ao Senado, na Comissão de Direitos Humanos, e mandamos bala lá. Participamos da mesa, debatemos a questão. E agora esperamos que o filme contribua para uma visão mais humana, mais delicada sobre o problema. Acho que falta esse olhar para com a questão da juventude pobre no Brasil.

CARLOS CORTEZ (n. 1956, SP)
filmografia como diretor:

Querô (2007)
Seu Nenê de Vila Matilde (curta) (2001)
Geraldo Filme (curta) (1998)
Nelson (curta) (1997)
Salário (curta) (1987)